segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A frustração e o sopro de alívio - 2a parte



Engraçado como as coisas acontecem. Na verdade, acho que a própria vida, com a sua sucessão de momentos trágicos, acaba exigindo, por si só, um pouco de graça.

Como bom taurino que sou, apesar de não crer piamente nessa questão astrológica (e também não tenho nada contra quem acredita!), sei que sou muito teimoso. Não aquele tipo de teimosia danosa, quase doentia, que renega qualquer ponto de vista alheio. A minha teimosia pende mais para o lado ideológico da causa. Quando me surge uma idéia, dificilmente me desfaço dela.

Apesar disso, não posso dizer que não levo em consideração a opinião das outras pessoas. Às vezes, acho que a levo a sério até demais. Porém, mesmo nas críticas mais ferrenhas, nas exposições mais desacreditadas, tento sempre enxergar um mísero filete de luz para a minha idéia original.

E como é bom perceber que, depois de longos períodos de explanação, portas batidas rentes ao seu nariz, muros nos mais diversos tipos de mesas e negativas a ecoar pela sua cachola, finalmente, alguém comprou a sua idéia.

Um ser iluminado previu um futuro brilhante para algo que você cada vez mais só via como águas passadas. Com um papo muito produtivo, explicações, retificações e "cortes de aparas" (entre aspas porque trata-se de citação), agora sim eu posso gritar a plenos pulmões: EU TENHO UM TEMA DE TCC!!!

Serviu como um sopro de alívio. Depois da conversa, me senti muito mais leve. Fazendo uma comparação auto-piadística, é como se eu tivesse perdido os 10 quilos que tanto preciso! rsrs

Agora é bola para frente. Como a própria pessoa comentou ao nos despedirmos: "daqui pra frente, você terá muita dor de cabeça..". Era exatamente o que estava querendo, pode ter certeza!

Bem que eu estava pressentindo algo ontem. Afinal, encontrar JC no busão pra USP, só poderia ser interpretado como bom presságio... rsrs

H (como foi bom não ter aula do Mila!)

sábado, 29 de agosto de 2009

Informe geral: o "mestre" e os "aprendizes"



Apesar de não concordar muito com as ideias que serão expostas aqui, durante o decorrer desse post, imagino que ele seria necessário, até para eu próprio acreditar no futuro reservado para esse "Mundo".

Quando comecei as atividades desse blog, 1 ano atrás, como já disse em outros momentos, nunca imaginei sequer que ele chegaria ao dia de hoje. Muito menos que eu seria tido como um "mestre" (não é a palavra exata, mas não consegui pensar em outra) para novos "blogueiros" (o termo exato seria criadores de blogs).

Não deve ser segredo para ninguém que sou "padrinho" do blog O Curioso Mundo do Cinema. Depois de meses e mais meses de especulações e tentativas frustradas de início, finalmente esses senhores colocaram-no em orbita no universo 2.0. Mas, antes, foram inúmeras consultas e perguntas para a minha pessoa, tido como mais experiente nesse assunto. Claro que não concordo, porém, não podia deixar de ajudá-los, ainda mais quando se vê nitidamente que eles nasceram para isso!

Contudo, parece que isso não era o bastante. Ontem, depois de 2 anos, volto a ver meu grande amigo de longínqua data. Conversa vai, conversa vem, entre recordações de nossas antigas disputas no "Master", lembrei-me que ele escreve tão bem quanto eu (uma comparação fula, já que mais do que nada é pouco! rs). Ele me disse que já tinha pensado em criar um blog e já tinha visto as minhas postagens de atualizações no Twitter.

Como vocês devem imaginar, o clique foi imediato! Convidei-o no mesmo instante para participar desse Mundo. Usá-lo como uma laboratório para um futuro projeto solo. Nem sei explicar ainda a alegria que senti ao ver que ele aceitou meu convite.

Pois é senhoras e senhores, o Fantástico Mundo do H agora será administrado por dois amigos. Isso resultará numa abrangência ainda mais diversificada de assuntos. Talvez até o nome do blog mude... será?! Bom, deixemos os devaneios de lado, pelo menos por enquanto, e demos boas vindas ao mais novo integrante do universo da blogosfera: senhor José Ricardo Moura!

Seja bem-vindo, brother!


H (nem dá para acreditar!)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A volta do cuspe



Como foi estranho reencontrá-la ontem, enquanto esperava pelo demorado de sempre Lapa/Vila Anastácio. Porém, mais estranho ainda foi vê-la diferente. Uma diferença tão gritante que era impossível de não saltar aos olhos.

Definitivamente, o tempo faz muito bem para algumas pessoas. Pena que o mesmo raramente ocorre conosco.

Vendo-a daquele jeito, distinta de qualquer forma que a minha fértil imaginação já foi capaz de criar, por um momento, cheguei a esquecer que fui eu o responsável pelo nosso fim, e me senti tentado a sugerir: "bom, poderíamos marcar algo para colocarmos o papo em dia.. com mais calma". Depois de 3 ou 4 segundos, ela responde: "infelizmente, não vai dar.. estou saindo com alguém". "Eu também!", retruquei logo em seguida, com o maior dos sorrisos forçados.

Trocamos um breve olhar e caímos na gargalhada. Instantes depois, nos despedimos. Enquanto a via zarpar na sua condução, tive uma certeza: ela não acreditou em mim.

Mas tudo bem. Relembrando agora, acho que nem eu mesmo acreditaria.. rs


H (touché)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Minha música-chiclete II



Quem acompanhou o quadro sobre os "Compositores" que criei aqui, deve ter sentido falta de alguns nomes de peso desse área. Apesar da ausência de comentários contrários, recebi alguns e-mails na época que questionavam pela presença do Bill Conti, Alan Silvestri e Hans Zimmer.

Realmente foi uma falha minha e peço desculpas por isso. Contudo, como eu havia dito no início do quadro, a escolha seria minha. E, para ela não parecer superficial demais, preferi relacionar apenas aqueles dos quais já havia escutado 3 ou mais trabalhos.

Bom, mas deixando as explicações de lado, esse post trata, na verdade, da mais nova "música-chiclete" que tem me perseguido nos últimos meses. Como já disse no meu post de resumo das férias, um dos filmes que vi e gostei muito foi "O Procurado".

Ele não é o tipo de filme que indico. A maioria das cenas já são mais do que manjadas. Os efeitos até que tiram uma ou outra expressão de surpresa, mas, fora isso, não enriquece em nada. Ele vale mais por dois motivos. O primeiro, vai como dica para os "cuecas": uma das cenas com a gata Angelia Jolie é de arregalar os olhos, cair o queixo e disparar o coração (não necessariamente nessa mesma ordem!) de qualquer marmanjo. O segundo motivo é a real essência desse post: Danny Elfman (foto).

Muito conhecido pelo seu trabalho junto ao diretor Tim Burton, suas últimas composições não estavam me atraindo tanto. Talvez por isso ele também tenha ficado de fora da lista do quadro original dos "Compositores". Porém, sua guitarra mais do que nervosa, me chamou muito a atenção durante o já citado "O Procurado". A aliança das cenas com seus acordes ficou perfeita. Coisa muito difícil em filmes desse gênero.

Baseado nessa exposição acima, segue o clipe de "Little Things", com cenas do filme:



H (são as "little things" que fazem o nosso "day-to-day")

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Momento poesia XXV



Saudades

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

(Pablo Neruda)

H (deu uma vontade de rever "O Carteiro e o Poeta")

sábado, 22 de agosto de 2009

Retrospectiva - 1 ano em 200 posts



Toda a primeira vez é inesquecível. De uma forma boa ou não. Movimentos trôpegos, as mãos a percorrerem mil lugares nervosamente. O suor a escorrer pelos dedos, tateadas indecisas. O pensamento turvo, com diversas coisas se atropelando ao mesmo tempo. Além daquele persistente calafrio a percorrer toda a espinha. E, depois de terminado, surge aquela perguntinha (muito) animadora: “será que fiz tudo certo?”

Se, lendo o parágrafo acima, você logo foi remetido a suas lembranças sobre sexo, aconselho a procura de um médico. O quanto antes, seu (ua) pervertido (a)! rsrs

Sério agora: o relato inicial, na verdade, assim como vocês puderam presumir pelo título desse post, é baseado no momento em que decidi criar esse blog, exatamente 1 ano atrás. Coincidentemente (ou não!), esse também é o post de nº 200! Por isso, resolvi que esse seria um “post retrospectiva”, um tipo de “brake-moment” para analisar tudo (ou quase tudo) que já publiquei aqui.

Quando tomei a decisão por criá-lo, o fiz meio que pressionado, depois de um “empurrão amigo” de um ser inspirador (também conhecido como Luciana Meira.. rs). Eu aceitei o desafio, mesmo sem saber direito o que seria feito dele. Não tinha a menor ideia do quê, como ou quando postar. Como o tema que eu tinha para tcc (naquela época) girava entorno disso (blogs pessoais), imaginei que seria uma boa hora de experimentar a criação de um.

Nos primeiros posts, tentei me apresentar, mostrar quais seriam as minhas intenções e gostos. Relendo esse e mais esse, percebo agora que nem cheguei perto! rsrs

O assunto biblioteconomia apareceu raríssimas vezes. Talvez para provar que essa carreira não foi uma escolha consciente, por paixão. Foi apenas uma escolha como outra qualquer.

Meus trabalhos literários (ou, simplesmente, poemas medíocres resultantes de uma adolescência típica) também tiveram lugar aqui. Tudo começou quando percebi que seria uma boa criar pequenos quadros periódicos com uma temática delimitada. Assim, surgiram o “Momento Poesia” e o “História com 'H'”. Logo, também surgiu um quadro inspirado na conversa que tive com uma amiga depois de um comentário dela sobre um post-tributo que fiz para os livros que já havia lido. Dessa forma, criei o "Cabecereira do H".

Mas, eu sentia que faltava algo. Um assunto que sempre gostei foi cinema. Sou cinéfilo desde que me conheço por gente. Aliás, acho que até antes disso! rsrs Mas escrever sobre algo é muito diferente de somente apreciá-lo. Por isso, fui um pouco mais relutante em trazer esse assunto para cá. Até que um dia, um amigo me mandou um e-mail dizendo que sentia falta de música no blog. Daí pensei: "e por que não juntar os dois assuntos num só?". Então, depois de muita pesquisa, em dezembro/08, nasceu o "Compositores", com uma lista limitada (e por minha escolha) dos melhores criadores de trilhas originais de cinema. Como a recepção do novo quadro foi muito positiva, percebi que, se seguisse nessa linha, colheria vários frutos.

Apesar disso, como um blog pessoal realmente o é, dificilmente a personalidade e o cotidiano do seu criador ficam de fora das postagens. Eu senti isso na pele no fim de novembro/08, quando uma decepção me acertou em cheio. Minha vontade, naquele momento, era desistir de tudo! E não estou falando só do blog. Mas desistir desse "Meu Mundo" seria desistir de tudo que gosto e acredito. A volta não foi triunfante, porém, um alívio. Uma coisa boa que essa decepção trouxe ao blog?! O quadro "post convidado".

Outros quadros que fizeram/fazem parte desse Mundo que merecem uma citação: "Top", um ranking sobre qualquer assunto que vier a mente; "Dica cultural"; um de análise de filmes récem vistos na telona, que resolvi não nomear; "Informe geral", uma tentativa de manter meus seguidores atualizados sobre as novidades do blog; "Auto-história", satisfazendo uma paixão antiga por carros clássicos; e, com o fim do "Compositores", surgem o "Diretores" e "Ícones da 7a arte".

Outros assuntos que circularam por aqui e que eu não poderia deixar de comentar: meus amigos, num dos posts que mais gostei de escrever; trabalho, sempre falando mal, até porque, não tem como mentir nessas situações; infância e as minhas saudades dessa época de ouro; faculdade e minhas frustrações com a biblioteconomia; e, talvez, individualmente falando, o mais presente deve ter sido o Michel.

Bom, eu acho que é isso. Me passou pela cabeça falar um pouco sobre como será o futuro desse blog (pois é, ele terá um futuro!), mas acho que agora não seria o melhor momento. Quero só agradecer a todos que me inspiraram, direta ou indiretamente, durante esse último ano. Vocês me deram forças para não desistir em instantes decisivos, me ajudaram a continuar e tomar gosto por esse lugar, minha "casa virtual"; meu mundo, do tamanho de todos vocês.

Obrigado pessoas. Não citarei nomes porque posso acabar esquecendo de alguém, e isso seria a maior injustiça que poderia cometer. Espero continuar por aqui, escrevendo bem e diversificadamente. Nos encontramos no próximo ano.. quem sabe, no post número 400.. rsrs

H (aqui e ali.. diversos pedaços em inúmeros lugares)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Minha vida, minha história - post convidado


Alguns anos atrás, um homem, que amava muito uma mulher, estava indo ao encontro dessa. Ele ia a passos decididos, sem medos e anseios, porém muito feliz. Afinal, que outra sensação uma paixão pode nos causar?

De longe ele a avista. Tão linda, tão formosa... de doer de tão bela! E, como em tantas vezes nos últimos meses, ele se põe a pensar:
- Meu Deus! O que fiz para merecer jóia tão bela e preciosa quanto essa a que vejo e desejo?

Ao chegar ao encontro da amada, esse homem, desatento como só ele (ou enfeitiçado como qualquer outro que já a tinha amado), não percebe que ela está diferente. E ele veria que era um diferente de desalegrar qualquer um em seu lugar...

- Precisamos ter uma conversa... muito séria – diz a mulher com um olhar vazio.
- Posso antes lhe dizer uma coisa muito importante? – intercede ele, ainda sorrindo.
Ela, já pressentindo o que o homem iria dizer em seguida, coloca a mão sobre a boca desse, impedindo que esse diga a tal frase.
- É exatamente sobre isso que precisamos conversar... – diz ela com os olhos já marejados.

Ele pega a mão dessa entre as suas, abaixa a cabeça enquanto acaricia aquela mão fria e macia. Ficam assim por alguns minutos: ela, olhando-o como se visse um menino desamparado, sozinho no mundo; ele, cabisbaixo, não sentindo mais o chão aos seus pés...

Ao levantar a cabeça, ele não traz mais o brilho rotineiro no olhar. Vagarosamente ele libera a mão da mulher e, com uma voz calma, pergunta:
- Por quê?
- Não existe um motivo aparente. – diz a mulher – simplesmente não aconteceu como queríamos que acontecesse.
E ele logo pensa: "Queríamos? Mas aconteceu tudo como eu queria... como ela pode fazer isso comigo?"

- Diga-me, por favor, como alguém deixa de amar outro alguém de uma hora para outra?
- Mas não aconteceu de repente! – retruca a mulher – Foi aos poucos que isso aconteceu. Eu apenas estou sendo sincera com você em dizer que não consigo mais lhe amar como você me ama.

Ele abaixa novamente a cabeça. Sente tudo ao seu redor girar. Como pode uma fortaleza desmoronar em poucos minutos? Como? Ele tinha lhe dado tudo: carinho, atenção, proteção. Estava sempre lá, nas horas boas, mas, principalmente, nas horas ruins...

Num movimento lento, ele a encara pela primeira vez durante aquela conversa (e a última das suas vidas) e, com sua voz rouca rotineira, diz:
- Eu lhe perdôo.
- Pelo quê? – pergunta a mulher sem entender.
- Por não ter sido totalmente sincera comigo. – e, vendo que ela já articulava uma defesa, ele eleva a mão e o tom de voz: - se você tivesse sido totalmente sincera comigo, não teria esperado que o seu amor por mim chegasse a esse ponto de não existir mais... eu fui o melhor que pude para você. Honesto, leal, amigo, carinhoso... bom o bastante para sempre lhe ajudar e nunca maldizer de qualquer defeito seu! E é dessa maneira que você me retribui?

Ele respira fundo como se não o fizesse a milênios. Está vermelho, porém, estranhamente calmo. Pensamentos se chocam em sua mente enquanto espera que ela diga algo. E que resposta ela poderia dar?! No fundo ele queria mesmo que ela dissesse que tudo não passava de uma brincadeira. Mas que idiota seria capaz de brincar com algo tão sério? Quantas perguntas lhe atormentavam...

- Eu não sei mais o quê lhe falar... – finalmente diz ela, num esforço que parecia hercúleo.
- Claro que não, porque você sabe que eu estou certo! – ele faz uma pausa para tentar ordenar o turbilhão da sua cabeça – Desde o começo, achei que você era diferente das outras que eu tinha conhecido. Mas você é igual, senão pior. Você queria isso! Não sei o motivo... – aqui, ele repara que ela ia o interromper, então eleva um pouco mais a voz: - ... e nem quero saber! Pensei que você não fosse uma dessas que deixa a opinião de outras pessoas interferir na sua vida, porém, pelo que parece, eu estava enganado...
- Acho que você está muito alterado para dizer uma bobagem dessas. Você nem sabe o verdadeiro motivo...
- E, como eu já disse, nem quero saber – diz ele calmamente – Não importa o tão bom que você seja, isso nunca é o bastante! Sei que sou sensível e romântico demais, que tenho qualidades que nenhum outro homem possui ou possuirá, mas isso não é o bastante...

Por alguns instantes eles ficam ali imóveis e mudos. Nenhum dos dois sabe porquê ainda estão ali, contudo nem ele, nem ela, demonstram vontade de se mexer. Quem passa por eles, logo imagina que são dois estranhos que se encontraram, porém com nada em comum entre eles. E é exatamente isso que eles são agora: dois estranhos...

Ela abre a boca para dizer algo, mas é ele quem fala:
- O que vou te dizer agora, gostaria que você guardasse bem – ele faz uma pausa para tomar fôlego – Peço desculpas se alguma vez fui grosseiro ou mal-educado com você... saiba que não foi minha intenção – ele faz uma nova pausa como se não soubesse mais o que dizer. Então, ele se levanta, ela o segue com o olhar:
- Espero que você seja muito feliz. E se algum dia quiser me conhecer de novo, você sabe como e onde me encontrar... um laço arrebentado pode muito bem ser refeito, mas acima de tudo... – ele pára ao sentir suas lágrimas começarem a brotar - ... que nunca amei, nem serei capaz de amar outra como lhe amei e amo... daqui para frente, você me será apenas uma lembrança de uma época que, mesmo tendo todos os motivos, jamais esquecerei...

Ele se vira e, em passos decididos, se afasta, sentindo que ela o segue olhando até ele se misturar a multidão.

Alguma vez na vida ele se arrependeu por não querer saber o verdadeiro motivo? Nunca! E ela, se arrependeu de não ter sido totalmente sincera com ele? Algumas vezes, mas não o bastante para procurá-lo.

E eles foram felizes? Sim, cada um ao seu jeito. Porém, nunca como foram quando estiveram juntos. Ele amou novamente? Não, e ele se arrependeu disso por muito tempo. Mas, como ele mesmo dizia:
- Cada amor perdido é uma ferida nova que surge no coração. Só quando essa ferida cicatriza é que você está realmente pronto para um novo amor... mas existem cortes que nunca cicatrizam.

E esse foi o caso desse seu amor: um corte tão profundo que jamais cicatrizou...

(Michel Ferrera, maio de 2000)

H (baseado em vários fatos reais!)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Frustração - 1a parte


Como é difícil lidar com frustrações. Perceber que todo aquele suor que encharcou sua testa, todo aquele trabalho árduo que lhe consumiu por horas madrugais a fio que, por sua vez, foram regadas a litros e mais litros de energéticos e cafeína.. enfim, imaginar que todo o esforço, a batalha interna em busca da perfeição (apesar de saber que ela não existe!), da excelência em forma impressa, que tudo isso foi em vão.

É impossível que algo "construído" durante mais de seis meses, pensado e repensado, negado e renegado inúmeras vezes, venha abaixo em menos de 15 minutos. Na verdade, esse era o meu conceito, baseado em concepções que se mostraram verdadeiros engodos. Doce ilusão! Mal sabia eu que, em se tratando de idéias, a única coisa impossível é a própria crença (desmedida) nessa sua existência.

Porém, não me darei por vencido tão cedo. Aceitei a derrota, ao mesmo tempo, como um aprendizado e um novo ponto de partida. Algo bom até, eu diria. Afinal, recomeçar nunca é do zero.

Terei bagagem acumulada e conhecimento necessários para evitar ao máximo os mesmos entraves. Trilharei caminhos semelhantes. Nada de atalhos arriscados e saltos sem pára-quedas. Se encontrar as mesmas bifurcações de antes, tomarei o rumo desconhecido. Assim, errarei mais e aprenderei o suficiente. Talvez não o suficiente, mas o necessário para, um dia, trilhar os meus próprios. Que venham os novos erros!

H (avante neurônios!)

domingo, 16 de agosto de 2009

Auto-história: o pássaro de fogo


Em meados da década de 1960, surgiu uma avalanche de novos conceitos de carros esportivos norte-americanos: os pony-cars. Assim, apareceram o Plymouth Barracuda, o Ford Mustang e o Chevrolet Camaro. Cada um teve sua legião de fãs. Porém, com excessão do Mustang, nenhum deles teve uma "personalidade" tão marcante quanto o Pontiac Firebird, nome de origem indígena: uma lenda popular sobre um pássaro que trazia ação, poder, beleza e juventude.

Seu idealizador foi ninguém menos que o vice-presidente da GM na época, John Zachary DeLorean (se você pensou no carrinho do filme "De Volta Para o Futuro", acredite, não foi por acaso! rs). A ideia era não perder terreno para o "outro lado", ou seja, o outro segmento da GM, a Chevrolet. Daí a grande semelhança estrutural entre Firebird e Camaro.

DeLorean o apresentou a imprensa em janeiro de 1967 e, graças ao alvoroço promovido como primeira impressão, um mês depois ele já estava disponível para comercialização, nas versões cupê e conversível. Apesar de serem, equivocadamente, tratados como "primos", as diferenças entre Camaro e Firebird eram gritantes. Enquanto o primeiro ainda se mostrava preso as raízes, sem excessos em todos os sentidos, o Firebird buscava inspiração em modelos europeus, utilizando combinações de cores mais requintadas e chamativas, a grade dianteira bipartida, o ressalto no capô e as falsas entradas de ar nos pára-lamas traseiros. A potência de seus motores é um capítulo à parte: os Camaros ainda sofriam com os tradicionais motores de seis cilindros, que geravam, no máximo, 155cv. Já os Firebirds, eram equipados com os seis cilindros em linha chamados de Sprint, que entregavam até 215cv. No ano seguinte, foi lançada a versão com motor V8 (apelidado de Ram Air), com 320cv de potência. Um verdadeiro estouro. Uma tentativa de superar em vendas o "primo pobre" Camaro, numa época em que os rachas diante de semáforos se tornavam constantes e a força de arranque, importantíssimo.


As mudanças significativas começaram em 1969, com a separação dos faróis dianteiros, cercados por uma moldura de poliuretano chamada Endura. Mas, a principal de todas foi o lançamento da versão pouco divulgada Trans Am, trazendo para as ruas modificações exclusivas da versão de corrida. A partir de 1970, o nome Firebird foi instantaneamente trocado pelo nome da nova versão. Na verdade, o Trans Am era o top da segunda geração do Firebird. O pára-choque e a grade dianteira do Firebird agora formavam uma peça única, composta do material Endura apresentado em 1969, mas a grade não era mais cromada e sim pintada na cor do carro. Os pára-lamas eram mais arredondados e o comportamento dinâmico estava mais arisco, pois a suspensão traseira agora contava com estabilizador. O modelo conversível deixava de ser oferecido. O motor V8 chegava a 335cv. Um dos opcionais do Trans Am era o Shaker Hood, a seção no capô que se movia junto do motor, montada sobre o Ram Air II — uma versão mais potente, com 370cv, graças a cabeçotes trabalhados e coletores de admissão em alumínio. Apenas 88 unidades foram construídas.

Em 1972, as novidades estavam na grade em estilo "caixa de ovos" e num novo pára-choque dianteiro, além das famosas rodas Honeycomb. Os dados de potência passavam a ser declarados em valores líquidos em vez de brutos. A mudança desanimava os potenciais consumidores: o V8 350 passava a dispor de apenas 150cv, enquanto que o 400 estacionava nos 250 cv — ainda que esses valores significassem algo como 50% a mais se comparados aos brutos. Mas o pássaro de fogo ganhava a opção do 455 Super Duty, montados à mão, com bloco reforçado, dois parafusos por capa de mancal, comando de válvulas especial, pistões de alumínio, válvulas enormes e coletores de escapamento dimensionados. Geravam 310cv líquidos, embora alguns especialistas garantam que a potência chegava aos 370 cv. Essa omissão do verdadeiro rendimento do motor, que não era novidade nos EUA, parece ter como objetivo não chamar muita atenção das companhias seguradoras e do governo, que a cada dia trabalhavam mais contra os "carros musculosos".

Com o SD, o Firebird se tornava um legítimo — e o único — carro americano de competição 100% legalizado para andar nas ruas. E firmava a imagem de esportividade da Pontiac, na época em que todos os carros do gênero agonizavam. O Trans Am passava em 1973 a ostentar o que deve ser o mais famoso emblema já estampado no capô de um carro americano: um enorme pássaro de fogo que dominava o capô, gerando muita polêmica entre os fãs. Mau gosto ou não, as vendas reagiram bem naquele ano.


Porém, com a crise do petróleo cada vez mais ativa nos Estados Unidos, os motores do Firebird foram gradativamente perdendo potência. Com a debandada da concorrência na virada da década 1970/80, os investimentos foram concentrados mais na sua aparência. Isso gerou recordes de vendas (em 1976, foram mais de 100 mil unidades vendidas).

O Trans Am teve uma terceira geração, iniciada em 1982. Como principal novidade, os faróis escamoteáveis. Mas a potência do motor continuava ladeira a baixo. Ironicamente, durante a década de 1980, o Trans Am foi não só o carro-madrinha das 500 Milhas de Indianápolis, mas também o prêmio para o seu vencedor. E, quando todos achavam que o fim estava próximo, em 1989, a Pontiac apresentou a edição especial de 20 anos do Firebird Trans Am: o motor Buick V6 3,8 com turbo, dotado de câmbio automático, entregava 250 cv, número contestado por especialistas devido ao excelente desempenho. De fato, esse era o Firebird mais rápido até então. Sorte de Emerson Fittipaldi, vencedor das 500 Milhas daquele ano.. rs

Em 1993, surge a quarta (e última) geração do Firebird. Numa tentativa desesperada de conter os recordes de vendas dos carros japoneses que invadiam o país, o sucesso veio na forma de um grande fiasco. O carro podia até ser potente, mais era muito pesado e ainda insistia no eixo rígido traseiro. Não havia nem como comparar com os Hondas, Toyotas e Mitsubishis.

Apesar da restauração ter entreguei um carro muito bonito, além do crescimento anual da potência final, a Pontiac já ensaiava o corte definitivo das asas do Firebird. Em 2002, a Pontiac, que até então oferecia versões comemorativas de aniversário apenas para o Trans Am, decidiu celebrar o aniversário de 35 anos do próprio Firebird. A nova edição era um Trans Am pintado em amarelo, com rodas pretas e grafismos especiais pela carroceria, além do motor de 325 cv. Ela simbolizava o fim de um "pony-car" que, apesar de ter sofrido as agruras das crises energéticas durante os anos 1970 e a falta de criatividade dos 1980, encerrou sua carreira longe da decadência, conquistando uma legião fiel de entusiastas como um produto amadurecido.

Na telona, podemos destacar o filme "Caçada da morte", de 1978, numa cena que vale pelo filme (que, na verdade, não é nada bom!) todo juntamente com uma picape; os seriados "Arquivo confidencial", exibido no Brasil de 1974 a 1980; e "Supermáquina". Aqui em baixo, o clipe "What it feels like for a girls", da Madonna, quando ela faz uso de dois Firebirds 73:

video

Quem quiser mais informações sobre esse "pássaro" motorizado, basta clicar aqui.

H (só mais 3!)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Momento poesia XXIV


Cupido e Psique, escultura de Antonio Canova, Museu do Louvre.

Nascemos um para o outro*

Nascemos um para o outro, dessa argila

de que são feitas as criaturas raras;

Tens legendas pagãs nas carnes claras,

e eu tenho a alma dos faunos na pupila...


Às belezas heróicas te comparas

e em mim a luz olímpica cintila,

gritam em nós todas as nobres taras

daquela Grécia esplêndida e tranquila...


É tanta a glória que nos encaminha

em nosso amor de seleção, profundo,

que (ouço de longe o oráculo de Elêusis),


Se um dia eu fosse teu e fosses minha,

o nosso amor conceberia um mundo

e do teu ventre nasceriam deuses...


(Raul de Leoni)


* Poema publicado, originalmente, no livro Luz Mediterrânea, de 1922.

H (que bom que você voltou na melhor hora!)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O melhor do enlatado japonês


Dia da TV. Não consegui encontrar a fonte, muito menos se é uma "comemoração" instituída nacional ou mundialmente. Só sei que está aqui escrito no calendário de mesa da empresa, então, vamos respeitar!

Como minha singela homenagem a uma das minhas babás preferidas, resolvi resgatar um rascunho de post que a muito estava guardado entre as minhas anotações. Lendo as pequenas notas informativas que coloquei junto desse rascunho, reparei na frase "deixar para postar numa data importante e pertinente". Bom, não vejo outra melhor! Então vamos a história:

Para quem nasceu entre 1980 e 1984, numa (agora) longínqua época fervilhante por democracia e direito ao voto direto, a televisão foi a primeira forma de contato com o mundo externo. Usada como diversão, distração e união entre a típica "família brasileira", esse meio de comunicação, desde que Assis Chateaubriand trouxe o primeiro para cá, sempre teve um quê de novidade misturado com desconfiança. Mas isso ficou mais no começo. Logo ela se tornou item indispensável nos lares do país. Novelas, noticiários, futebol. Tudo era motivo para se reunir pais e filhos na frente da telinha.

Aqui, abrirei um parêntese: não é minha intenção fazer um relato fidedigno, extensivo e chato sobre a televisão. Por isso, pulemos algumas décadas, partindo para um lado mais pessoal com relação ao assunto... entre as poucas redes de TV existentes no país no fim da década de 1970, a TV Tupi, uma das precursoras na transmissão nacional, não estava muito bem das pernas. Não demorou para que surgissem interessados na sua compra, afinal, seu poderio de transmissão era tão grande quanto a Rede Globo e a Record. Tornou-se uma questão política séria, só resolvida em meados de 1980, quando os empresários Senor Abravanel e Adolpho Bloch dividiram os direitos da TV Tupi, além da cassada TV Excelsior¹, fundando nos anos seguintes, respectivamente, o SBT e a Rede Manchete ².

A Rede Globo, até então muito limitada à faixa etária mais adulta, com suas novelas estereotipadas, viu seu reinado ameaçado com a enxurrada de programação infanto-juvenil promovida pelas duas teles novatas no decorrer dos 10 anos seguintes. Claro que elas não conseguiram vencer a toda poderosa, mas incomodaram bastante!

E é aqui que eu entro na história. Entre 1990 e 1993, como sempre estudei em períodos diferentes da minha irmã e meus pais trabalhavam fora, ficava sozinho em casa durante um bom tempo. A televisão era minha única companheira. A Rede Manchete, meu canal favorito. Na época, as séries dubladas japonesas eram uma febre! Assistia todas só para ter assunto com a molecada da escola. Assim, para comemorar esse dia da televisão, seguem algumas informações e as aberturas das cinco séries enlatadas nipônicas que mais se fizeram presentes na minha infância (informações tiradas daqui):

* Changeman - Temendo que a ameaça do rei Bazoo, do Império Gozma, chegasse à Terra, o sargento Yu Ibucky (Jun Fujimaki) - um alien que, disfarçado de humano, busca vingar a extinção de sua raça, inicia um rigoroso treinamento entre jovens militares que nem desconfiam o motivo do árduo regime. Durante um ataque das forças alienígenas, cinco pessoas lutam e resistem bravamente. O grupo é escolhido pela misteriosa Força Terrena, que emana sempre que a Terra está em perigo. O quinteto tem sus corpos envolvidos por uma luz e desenvolve poderes oriundos de animais lendários, formando o esquadrão Changeman. Teve 55 episódios para TV e dois filmes para cinema. Os longas permanecem inéditos no Brasil. De todos os seriados do gênero, este é até hoje, um dos mais populares no Japão.




* Cybercops - Num futuro próximo, em 1999 (a série foi produzida no biênio 1988-89), o esquadrão especial da polícia de Tóquio conhecido como ZAC (Zero Section Armed Constable ou Policiais Armados da Sessão Zero) cria o Cybercop, um grupo de policiais de elite com armaduras tecnológicas. Os Cybercops passam a combater a organização criminosa Destrap (Death Trap no original) liderada pelo computador Fuhrer, uma criação de Barão Kageyama, o verdadeiro líder do grupo.




* Jaspion - A saga de Jaspion se inicia quando o sábio Edin (Edgin, na versão original japonesa) encontra o garoto entre os destroços de uma nave na qual seus pais morreram juntos por causa de um acidente. Edin cria Jaspion por vários anos sabendo que este seria o guerreiro celestial encarregado de destruir o mal criado por Satan Goss. Teve 46 episódios.




* Jiraya - foi uma das séries japonesas de TV de maior sucesso dos anos 1980. Este tokusatsu de 50 capítulos foi produzido pela Toei Company e exibido no Japão pela TV Asahi entre 24 de agosto de 1988 a 22 de janeiro de 1989. Veio ao Brasil em 1989 trazido pela falida Top Tape e exibido pela Rede Manchete; foi exibido até novembro de 1999 pela RedeTV!




* Kamen Rider (Black) - Oitava geração dos Kamen Rider, o Black foi a primeira série da franquia a ser transmitida no Brasil. A série foi produzida pela Toei Company e Ishinomori Productions, sendo exibida originalmente no Japão na TV Asahi entre 4 de outubro de 1987 e 9 de outubro de 1988. É sem dúvida alguma um verdadeiro clássico do mundo tokusatsu, fazendo enorme sucesso não só no Japão, mas em todos os outros países que foi transmitido.




¹ Para saber mais sobre a TV Excelsior, indico esse livro: MOYA, Álvaro de. Glória in Excelsior: ascensão, apogeu e queda do maior sucesso da televisão brasileira. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2004.

² E, para os cinéfilos que gostariam de saber um pouco mais sobre a história da televisão no Brasil, assistam "Muito além do Cidadão Kane", um documentário produzido pela BBC de Londres que teve sua exibição e comercialização proibida no país pela própria Rede Globo.

H (Que saudade bateu agora! Volta, Manchete!)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Entre Dragões e Libertos: uma saga tricolor

Domingo é o típico dia da semana em que não se pode inventar nada, porque no dia seguinte, o chicote estrala (no lombo do burro, completarão alguns.. rs).

Eu já estava bem nesse pique mesmo. Acordei tarde, liguei o PC só por distração, dando meu dia por vencido. Porém, eis que um primo meu que está visitando a cidade, me liga, querendo muito ir até o santuário sagrado do futebol hexacampeão brasileiro (em outras palavras, para os leigos entenderem, o Morumbi) para assistir ao jogo entre São Paulo e Goiás.

Apesar das suas justificativas sobre ser uma partida de uma torcida só (como realmente foi!), continuei com um pé atrás. Afinal, como eu disse, já dava meu domingo por encerrado. Além de, apesar de gostar muito desse estádio, seu acesso utilizando o nosso (queridíssimo e super-eficiente) transporte público do dia-a-dia, é um tormento.

Mas, como meu velho resolveu dar uma força (através de uma carona), entreguei os pontos e lá fomos para o recanto tricolor mais querido do Brasil.

É difícil não ficar emocionado ao se avistar o campo e toda a arquibancada. A confusão de pensamento lhe desnorteia de tal forma que fica complicado até para escolher um lugar para sentar.

Como chegamos cedo, aproveitamos para tirar várias fotos, percorrer todo o setor laranja e até ajudar na colocação das faixas da torcida organizada “Dragões da Real”. E, por falar em torcida organizada, quem imaginaria que acabaríamos por ficar entre as duas melhores do país: a já citada “Dragões da Real” e a “Independente”. Só esse fato já valeu o ingresso!

A cada lance da partida, o grito das torcidas só aumentava ainda mais o espetáculo exibido no caldeirão tricolor. Xingamentos, aplausos, “tios” e “tias” tentando vender seus quitutes e líquidos. Inúmeras cenas de um filme que todos já sabiam o final. Talvez, por isso, o canto mais entoado tenha sido “O Campeão Voltou!!!!”

Hoje, assim que acordei, reparei nas conseqüências de tal “loucura noturna dominical”: várias dores pelo corpo, mãos inchadas e rouquidão. O lado bom de tudo isso?! Meu querido tricolor deu show. Venceu (e convenceu!) fácil um adversário medroso e assustado com a massa de torcedores.

Ah, e ainda consegui o telefone de duas gatinhas são-paulinas durante o intervalo. Para a minha vida ser perfeita hoje?! Só se eu tivesse ficado em casa... rs

H (“avisa a galinhada, avisa a porcada.. o Campeão Voltou!!!!!”)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Diretores - David Lean


"Todos os elementos da filmagem conduzem a um resultado muito simples: entreter as pessoas. Mas, são as emoções humanas, e não os circos, que formam uma grande imagem." [D. L.]

David Lean nasceu no Surrey, região da Grande Londres, Inglaterra, em 25 de março de 1908. Vindo de uma família tradicional, foi muito repreendido, durante sua infância e adolescência, principalmente pelo fato de demonstrar uma grande adoração pela sétima arte. Seus familiares não viam esse gosto com bons olhos. Achavam que era algo para desocupados e pessoas sem futuro.

E, como tudo que é proibido ganha ainda mais almejo, sua paixão só cresceu. Chegou a tal ponto que, aos 20 anos, ele decidiu largar sua carreira de contador e se lançou de cabeça no mundo do cinema.

Começou por baixo, como ajudante geral dos estúdios Lime Grove, onde fazia um pouco de tudo. Desde servir chá até carregar pesadas latas de negativos. Nos 15 anos seguintes, foi galgando pequenas brechas e oportunidades. Era esperto, curioso e muito esforçado, qualidades que logo foram reconhecidas e recompensadas.

Em meados da década de 1930, chegou ao posto de editor dos noticiários que passavam antes das sessões de cinema. Pode parecer um trabalho chato, mas exigia muito conhecimento técnico e ele o possuía com maestria. Quatro anos depois, foi convidado pelo diretor francês Marcel Varnel a editar seu primeiro filme em língua inglesa, "Freedom of the Seas". Começava aí sua "real" carreira no cinema nesse posto que, só foi interrompida em 1942, quando ele decidiu dar um passo além e assumir a direção de "Nosso Barco, Nossa Alma", aceitando o convite do ator/roteirista Noel Coward. O filme traz uma análise psicológica de um grupo de náufragos, enquanto esperam por resgate.

A parceria dos dois ainda rendeu outros três filmes, com destaque para "Desencanto", pelo qual ganhou o grande prêmio no Festival de Cannes de 1946. Nesse mesmo ano, a parceria é encerrada.

"Grandes esperanças", de 1946, além de ser conhecido como a estréia de Alec Guinness na telona, marca a primeira adaptação por David Lean de um conto de Charles Dickens. O filme foi um sucesso de crítica, faturando três Oscars.

Depois de quase uma década fazendo produções medianas, surge o filme que mostrou, para quem ainda tinha dúvidas, que Lean era um dos melhores diretores da época: "A Ponte do Rio Kwai", de 1957. Sucesso é pouco para descrevê-lo. Vencedor de 7 Oscars, deu a David Lean o reconhecimento (não que ele precisasse!) que merecia. Logo Alec Guinness se tornou seu ator favorito. Ao todo, ator e diretor estiveram juntos em 5 películas. Certa vez, ao comentar sua incursão ao set de filmagem do (sensacional!) "Lawrence da Arábia", de 1962, um jornalista inglês disse: "quem não soube, diria que eles [David Lean e Alec Guinness] se tratavam como pai e filho."

Muito detalhista e apaixonado por épicos, David Lean trouxe em seus filmes mais destacados uma característica que o marcaria e consagraria ao mesmo tempo: o choque entre culturas diferentes. Principalmente a surpresa e falta de tato da "experiência inglesa" diante do desconhecido trazido por outra cultura.

Em 1984, após terminar as gravações de seu "Passagem para a Índia", recebeu o título de Cavalheiro do Império Britânico (Sir.). Passou os sete anos seguintes tentando adaptar o livro "Nostromo", do escritor inglês Joseph Conrad (que também escreveu o ótimo "O coração das trevas"!). Já tinha até elenco escolhido quando, 6 semanas antes do início das gravações, David Lean morreu de câncer, em 16 de abril de 1991.

Ao longo de sua vida, diferentemente de muitos outros diretores, conquistou o respeito e admiração de vários colegas como Stanley Kubrick, Sergio Leone e Sydney Pollack; além de inspirar outros, como George Lucas e Steven Spielberg.

Alguns de seus filmes que eu recomendo:

* Desencanto (1945)
* Grandes Esperanças (1946)
* Quando o Coração Floresce (1955)
* A Ponte do Rio Kwai (1957)
* Lawrence da Arábia (1962)
* Doutor Jivago (1965)
* Passagem para a Índia (1984)

H (a marchinha de "A Ponte..." é inesquecível!)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O palhaço está de volta..


Às vezes, enquanto ouvimos uma música triste ou reparamos na paisagem urbana caótica de São Paulo durante um de seus vários momentos de engarrafamento, nos colocamos a pensar sobre como a nossa vida está difícil. Nesses instantes reflexivos, todo o incômodo e insatisfação que nos cerca afloram, deixando um rastro de decepção e desânimo.

Essa sensação de incapacidade diante dos rumos que minha vida levou até o famigerado instante, tem sido minha "parceira" a mais tempo do que eu próprio gostaria.

Porém, ontem, uma grande amiga me fez abrir os olhos e perceber que o mundo é repleto de outros seres. E esses, por sua vez, também possuem uma trajetória quase sempre tão conturbada quanto a minha.

Eu sempre fui um tipo de pessoa que gosta de ver as pessoas contentes. Torço muito por aqueles que me rodeiam. Muitas vezes, faço de seus momentos felizes (já que a felicidade não existe!) meus momentos também. Quando os vejo tristes, brinco, faço piadas, tiro sarro, faço de um tudo para ver ao menos o esboço de um sorriso.

E, não faz muito tempo, falei aqui sobre o fim da percepção desse meu lado "altruísta". Talvez, muito influenciado pelo estado de espírito em que me encontrava na época. Porém, mesmo depois de passada essa fase, continuei uma pessoa fria, arrogante, sozinho no meu mundo e pouco me importando para o restante do universo.

Mas, como eu disse, ontem foi diferente. Primeiro pelo clima que se formou antes da apresentação de TCC de outra "Very Special Person". Me senti de volta ao meu primeiro ano de graduação, quando ir até a faculdade era um prazer compartilhado por muitos. As gargalhadas, as zoeiras inofensivas, a amizade acima de tudo. Segundo, pela apresentação da "Very Special Person". Eu me senti feliz por ver que o seu esforço foi reconhecido e, merecidamente, recompensado. Sensação que, como também já falei, não sentia há muito tempo.

Daí, para fechar a noite, essa amiga que já citei, durante uma longa conversa, me mostra que meus problemas e encucações não passam de meros cortes superficiais. Feridas que cicatrizarão com o tempo.

Enfim, me fez pensar muito. E, pela primeira vez na minha vida, resolvi fazer um planejamento a longo prazo. Se ele der certo, meus problemas irão desaparecer.. para dar lugar a outros.. rsrs Mas, o importante mesmo é que, novamente, sinto alegria por ver meus os ganhos alheios. É muito bom estar de volta.. completo.

H (é dez.. com louvor!)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu nunca conseguirei...



"Eu nunca conseguirei!". "Eu nunca conseguirei!!". Essa foi uma das várias frases negativas que rodearam minha mente na última sexta-feira, durante a apresentação do TCC de uma das minhas veteranas que, baseado no nosso longo tempo de conhecimento mútuo, passarei a chamá-la apenas de "Very Special Person".

Como a minha própria apresentação está bem próxima, resolvi começar a acompanhar as demais, numa tentativa de tomar experiência e coragem (principalmente!) para quando chegar a minha vez.

Logo no início da apresentação, vi que precisarei estar muito seguro sobre aquilo que irei falar. Só nesse ponto, já me deu vontade de desistir! Taí uma coisa que não sinto ao falar sobre nada. Sou inseguro até de mais. Sem contar o fato de ter que expor minhas conclusões na frente não só de uma banca examinadora, mas de colegas e futuras vítimas. Gaguejarei sem parar, tenho certeza.

Por falar na banca examinadora, observando seus representantes, tive um insight dos ocupantes da minha. E vocês acham que essa visão me trouxe alivio e conforto?! Muito pelo contrário! Fiquei ainda mais apavorado. Comecei a suar frio, diversos espasmos musculares espalhados pelo corpo, rosto ruborizado, mãos trêmulas (podem rir à vontade!), entre outros sintomas.

Ao término da exposição da "Very Special Person", veio a parte que julgo a mais complicada, mas não a pior: a análise da banca. Como deve ser difícil sustentar a calma diante de pessoas que, literalmente, destrincham o seu trabalho, reparando em cada pequeno detalhe e trazendo à tona erros, gafes e exigindo explicações que você precisa ter na ponta da língua, senão toda aquela confiança e segurança do início vão ralo abaixo.

No caso da "Very Special Person", a banca foi fundo na sua análise. Mas, como o trabalho parecia estar muito bem escrito, a exposição dos examinadores foi composta de um misto de elogios rasgados (e merecidos!) com perguntas que só serviram para acrescentar pequenos pontos relevantes.

Passada essa fase, aí sim veio a pior de todas: a confabulação da banca e o aguardo pela tão temida nota. Nessa hora, a tremedeira já entra na fase do incontrolável. Gotas de suor brotam da testa. Reconfortante só mesmo o apoio das pessoas que estavam presentes, assistindo, passivas, a apresentação.

Mas, chegada a hora da revelação, acho que mais importante do que a nota, foram as palavras da orientadora. Afinal, não existe melhor elogio para o nosso esforço do que o termo "inovador". Fiquei muito feliz por ela. Tenho que confessar que fui um dos seus incentivadores. Porém, nunca acreditei piamente que o tcc dela estaria tão bem elaborado e pronto a tempo.

Pois é, queimei a língua. E adorei! Outra sensação também me ocorreu quando estava por lá. Mas essa será assunto de outro post...

H (é isso aí.. )

* Imagem retirada do BláBlas Blogger

sábado, 1 de agosto de 2009

Férias: a análise de um épico



Como já era de minha intenção, aqui está meu post-análise sobre minhas férias. Meu mês de redenção depois de três longos anos de frustrações e sapos enfiados goela abaixo.

Mas deixemos as mazelas do meu dia-a-dia (pelo menos, pelo próprio ano!) e entremos no assunto pertinente. Infelizmente, não viajei. Visitei poucos amigos, do mesmo jeito que poucos deles me visitaram. Comprei meu notebook; torrei quase todo meu dinheiro. Conheci uma das melhores casas de jazz da cidade (Bourbon Street). E, principalmente, dormi bastante.

Como eu já havia dito algum tempo atrás, usaria o tempo das férias para colocar minhas leituras em dia e minha DVDteca em ordem. Acabei não fazendo nenhuma delas. Quanto as leituras, consegui apenas ler "O Jogo do Anjo", do Carlos Ruiz Záfon, que já indiquei aqui, reli "Um Drink Antes da Guerra", do Dennis Lehane e comecei "História Universal da Destruição dos Livros", do Fernando Báez, mas não consegui concluir.

Porém, não posso dizer que foi um mês totalmente improdutivo. Repassando, mentalmente, há poucos instantes pelos títulos de filmes que vi nesse mês, contabilizei a magnífica marca de 15, sendo 10 desses pela primeira vez. Citarei essas películas "inéditas" seguidas de uma breve impressão que tive de cada. Assim, não estragarei qualquer espectativa que você tenha quanto a esse ou aquele filme. Vale ressaltar que a relação será feita em ordem alfabética, para facilitar seu decorrer:

* Clube da Luta (Fight Club, 1999): é o tipo de filme que, antes mesmo dos créditos começarem a subir, te faz exclamar "what fuck is this?!". Perturbador é pouco para um filme que une uma pseudo-dupla personalidade, a violência para aliviar a tensão e o boicote ao capitalismo. Não estou dizendo que o filme é ruim. Ele é apenas complexo demais, trazendo poucas explicações e se sustentando em contradições. Acho que irei assisti-lo mais uma vez, só para analisá-lo de outra forma;

* Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003): no princípio, imaginei que seria mais um romancezinho que, de alguma forma, conseguiu se diferenciar dos demais para corroborar o destaque que alcançou mundialmente. Ledo engano. A trama, na verdade, gira em torno do "sozinho na multidão". Mas a história é muito monótona. A amizade de Bob e Charlotte saí do nada para conseguir chegar.. a lugar nenhum! Talvez esteja sendo crítico demais. Porém, foi essa a minha percepção;

* Fale com ela (Hable com ella, 2002): é um filme interessante, com um pano de fundo bem diferente. A trilha é excelente (apesar do "showzinho" particular do Caetano Veloso), misturando vários ritmos. A amizade entre Benigno e Marco parece muito sincera. Ambos possuem em comum a paixão, apesar de ser em forma diferente, por mulheres em coma. Gostei muito do ar interrogativo que Almodóvar empregou no fim do filme. Recomendadíssimo!;

* Hannah e suas Irmãs (Hannah and her sister, 1986): quando o assunto é direção de atores, nenhum é melhor que Woody Allen. Ele consegue tirar o mais impressionante de cada um no momento certo. No demais, a história é meio chatinha. Mas é engraçado ver o Woody fazendo o papel de um neurótico hipocondríaco;

* As Horas (The Hours, 2002): afinal, quem tem medo de Virginia Woolf?! Na cena da estação ferroviária, juro que fiquei com muito! Nicole Kidman está irreconhecível e tragicamente perfeita no papel principal. Passei boa parte do filme me perguntando como todas as histórias, mesmo passadas em épocas bem distintas, poderiam se cruzar. Um final que me surpreendeu;

* Juno (Juno, 2007): enrolei muito tempo para assitir esse. Me lembrou muito aqueles filmes adolescentes clássicos da "Sessão da Tarde". Uma história engraçadinha e previsível. Bastante até! Um bom filme para aqueles horas sobrando, quando você só quer se distrair, sem vontade de ficar pensando muito;

* O Paciente Inglês (The english patient, 1996): mais um romance ambientado durante a Segunda Guerra. Não tem nada de impressionante. Ou até relevante para citar. Incrível como um filme de quase três horas tem tanto magnetismo para me fazer dormir! E, quando eu pensei que ele tinha acabado, ainda tive que "virar" o DVD porque a última hora estava no lado B. De bom no filme, só a ótima interpretação dramática da Juliette Binoche e a belezura da Kristin Scott Thomas;

* O Procurado (Wanted, 2008): o que eu posso falar?! Acho que demorou muito para a Angelina Jolie começar a aparecer. Um filme de ação bem montado. Claro que algumas coisas soaram surreais. Mas a maneira ininterrupta como as cenas de ação foram sobrepostas, me fez querer assisti-lo duas vezes no mesmo dia. Sem contar que a trilha ficou a cargo do Danny Elfman! Recomendadíssimo [2]!;

* Sangue Negro (There will be blood, 2008): esperava mais. Achei a trilha um pouco desconexa. Alguns temas escolhidos, em vários instantes, não pareciam apropriados para a cena. A interpretação do Daniel Day-Lewis é sublime. Não é à toa que ganhou o Oscar. Mas para um filme de quase três horas, acho que não custaria nada elaborar um final melhor;

* Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: the demon barber of Fleet Street, 2007): uma obra prima do Tim Burton. Um dos diretores mais versáteis que existem. Como o cara conseguiu fazer do Johnny Depp um ator de musical?! O sangue espirrando me lembrou o Quentin Tarantino e aqueles filmes trash das décadas de 1980 e 1990. Mas tenho que ser sincero: chegou uma hora que toda aquela cantoria me deu sono. Parecia mais enrolação do que uma trama bem desenvolvida.

Bom, é isso. Resolvi não incorporar os trailer dos filmes para não deixar o post quilométrico. Agora é voltar a realidade. Infelizmente...

H (adiando)